Autor: Duca Belintani
NA TRILHA DO BLUES
Muito mais do que um gênero, o blues tem vida própria, por conta de seus trejeitos e peculiaridades. Por isso, ele demanda o domínio muito mais específico do que conhecimento de escalas. Agora, você aprenderá como os melhores bluesmen fazem de seus instrumentos uma extensão da própria alma.
Esta cena poderia acontecer numa garagem qualquer, em um ensaio de uma banda qualquer:
-Vamos improvisar um blues?-Claro, manda aí a base...
O local é invadido por uma levada quadrada, padrões harmônicos de aulas de teoria e dá-lhe pentatônica, sem dó. Essa é uma situação muito comum: sai de tudo, menos blues. Por quê? Falta linguagem - mas como tocar um blues de verdade?Poucas notas, pentatônicas, I - IV - V, doze compassos. Esta é a impressão que muitos têm do blues. Qualquer grande músico ou mesmo um estudante de guitarra conhece bem esses padrões, mas porque que nem todos conseguem soar blues? A verdade é que o gênero tem como origem esta simplicidade por causa de seus interlocutores, mas sua maior característica é a linguagem. Nesta matéria, você entenderá as técnicas utilizadas, escalas, padrões, e vai aprender um pouco com os grandes mestres os truques dentro do blues tradicional. Com o passar do tempo novas formas e conceitos foram aplicadas e deixaram o blues mais moderno, mas este é um assunto para uma próxima edição. Agora, vamos conhecer um pouco de sua história.
O estudo do gênero não serve apenas para quem quer tocar blues, mas também para quem deseja estudar rock, pop, hard rock e jazz. Você pode observar que músicos que fizeram e fazem história beberam dessa fonte. Jimi Hendrix, Jimmy Page, Angus Young e Eddie Van Halen ou contemporâneos como Joe Satriani e até guitarristas de "outras praias", como Santana, Robben Ford, George Benson, só para citar alguns. Quase todos ouviram e assimilaram o que esta manifestação musical tinha e tem a oferecer. É lógico que para tocar blues não precisamos colher algodão no Mississipi, nem sofrer um grande desamor ou mesmo ser miserável e triste. O que vale a pena é entender sua origem e seu modo de transmitir um sentimento. E é isso que o blues nos ensina.É uma música simples, não por opção, mas por serem simples os seus criadores, que tocavam poucas notas, porque era o que conheciam e atingiam de forma direta. As afinações diferenciadas, na verdade, serviam para facilitar sua comunicação e até mesmo para suprir a falta de uma corda.Os músicos eram pessoas humildes e sem conhecimento musical, ou seja, o que era agradável ao ouvido e atingia suas emoções era o certo. Foi isso que moldou o gênero. Tanto as harmonizações dos doze compassos como a utilização da famosa pentatônica são frutos dessa necessidade de comunicação de um povo que, sendo "abafado" socialmente, não tinha possibilidades de realizações. Tendo as canções religiosas como forma única de expressão, agarravam-se e cantavam junto a elas seus sofrimentos.
Expressão e estilo
Como o blues tem origem vocal, isso quer dizer que mesmo aqueles sem o dom do canto tocavam seus instrumentos como se estivessem cantando, ou seja, notas como se fossem palavras. Quem nunca ouviu a expressão "a guitarra está gritando" ou "o choro da guitarra"? É isso: expressar no instrumento um sentimento de maneira quase que vocal, humana.A parte rítmica é a base de tudo no blues. Uma das levadas mais típicas do gênero é chamada de "levada do trem". Ela foi criada intuitivamente e se tornou tradicional. Os músicos foram influenciados pelo som e movimento do trem e tentavam reproduzir em seu instrumento aquilo que ouviam e viam.
sábado, 5 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário