terça-feira, 6 de novembro de 2007

The Who

Já que o Márcio Okayama citou em seus posts a banda The Who, segue aqui a minha homenagem com a coluna que fiz e que foi publicada na revista Cover Baixo.
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Em 1964, a banda inglesa The Detours, composta por John Entwistle (baixo), Pete Townshend (guitarra base), Roger Daltrey (guitarra solo), Doug Sandom (bateria) e Colin Dawnson (vocal) passou a se chamar The Who. Após certo tempo, Dawnson deixou seu posto, levando Daltrey a assumir os vocais e Pete Townshend, à função de único guitarrista. Em seguida, Sandom foi substituído por Keith Moon nas baquetas.
Estas mudanças foram decisivas para o estabelecimento da sonoridade definitiva da banda, que ficou bem mais agressiva que em seus primórdios. O modo de tocar de Entwistle também foi alterado, pois, nesta configuração, o baixo pôde elaborar grooves mais ricos para preencher os espaços deixas pela ausência de uma guitarra-base. Por conseqüência, suas linhas ganharam mais pegada e entrosamento com Moon, o que daria aos dois anos posteriores o status de uma das melhores cozinhas do rock em todos os tempos.
Com a nova formação, o The Who passou a fazer apresentações energéticas, o que o levou a ganhar fama no meio roqueiro britânico. Em poucos meses, ganhou a chance de se apresentar esporadicamente em um bar – que, mais tarde, seria o famoso Marquee Club -, onde Entwistle começou a usar sua imponente parede de amplificadores Marshall. Em 1965, a banda lançou seu primeiro álbum, The Who Sings My Generation, que atingiu rapidamente o segundo lugar nas paradas de sucesso do Reino Unido. A faixa homônima, até hoje o maior sucesso da carreira da banda, mostra claramente por que o baixista é hoje reconhecido como um dos principais heróis do gênero.
Em 1966, chegou às lojas o segundo álbum, A Quick One (happy Jack), em que, pela primeira vez, o grupo interpretou um conceito ópera-rock. Na mesma década, o quarteto lançou The Who Sell Out (1967), que prestava homanagem às rádios piratas, e a obra-prima Tommy (1969), que será detalhada em colunas futuras. O The Who fez ainda outros trabalhos marcantes nas décadas de 70 e 80, como Who’s Next (1971), Quadrophenia (1973) e Face Dances (1981) – este, lançado após a morte de Moon, em 1978, que foi substituído por Kenney Jones.
Após o álbim ao vivo Who’s Last (1984), os britânicos anunciaram a interrupção das atividades, esporadicamente retomadas em shows e turnês especiais. Em 2002, quando se preparava para um nova turnê do grupo, Entwistle morreu de ataque cardíaco. Daltrey e Townsend seguiram trabalhando juntos, com Pino Palladino no posto de baixista. Neste ano lançaram o EP Wire and Glass e o CD Endless Wire.
Tanto no The Who quanto em sua carreira-solo, John Entwistle criou levadas que completavam com eficiência e bom gosto o trabalho das guitarras, bateria e vocais, utilizando palhetas ou a técnica do pizzicato de acordo com a necessidade da música. Um exemplo de sua extrema habilidade é o solo de “My Generation”, que está transcrito a seguir.
Executado na tonalidade de Gm, o trecho apresenta uma linha-base nos dois primeiros compassos e, nos seguintes, pequenas convenções. Na primeira o baixo interpreta uma estrutura rítmica complexa, com notas relativas à escala pentatônica. Na segunda, o primeiro tempo é preenchido por semicolcheias e semínimas, evidenciando a intenção de walking bass por meio de sua rítmica e da aproximação cromática nos dois últimos tempos.

A idéia original...

O intuito deste blog...
Aproveitando a popularidade da internet e da informação transmitida com tanta facilidade pela mesma, resolvemos criar um espaço onde fosse possível, de forma concreta e segura, passar nossos conhecimentos, idéias, projetos, histórias e produtos para nossos (futuros) “leitores virtuais”.
Contando com uma equipe especializada em música e vinda de diversos segmentos de ensino no ramo tais como EM&T (Escola de Música & Tecnologia), Cifra Club, tOquemaisbaixo, Guitar Player, Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera e Modern Drummer, tornando assim o conteúdo aqui publicado de alta fidelidade ao que é mais importante ao nosso universo – a MÚSICA e conseqüentemente a ARTE desenvolvida através da mesma ou de outras formas de expressão – para que os leitores adicionem as suas vidas mais CULTURA verdadeira no meio de tanta baboseira disponível através alguns (poucos) toques no mouse.
Não estou assim dizendo que somos os donos da verdade, mas buscamos (como poucos) através da nossa profissão – tão amada e execrada – passar uma palavra ou ensinamento que por sua vez façam de suas vozes no futuro uma ferramenta para a construção de um mundo melhor. Pois assim vocês transmitirão o que aprenderam neste espaço – seja em forma de músicas, palavras, etc - de maneira sadia e inteligente e propagarão o que a arte tem de melhor.

Nossa revista online está no ar!
Aproveitem o espaço, comentem e sintam-se livres para divulgar...

Abraços e paz!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O mundo precisa de mais Chaplins e Keith Moons....

Inverno meio prolongado, baixas temperaturas, gripes e muitos momentos de reflexão sobre a vida.
O colunista da Folha e editor do Fantástico ,Álvaro Pereira , definiu o belo e triste 21 Gramas, como sendo um filme que fotografa, de maneira precisa, a tristeza e desesperança de nossos dias... bela e contundente colocação.
Nunca se viu tanto desespero e falta de perspectiva nos dias e noites da espécie humana.
Culpa, será de quem? Do excesso de expectativa que colocamos aqui nos vales de silício, na globalização e no materialismo crasso , que virou a nova religião e culto desta era, marcada pela veneração ao poder e dominação em pequenos e grandes lugares, por pequenas e grandes pessoas?
Charlie Chaplin, um dos primeiros workaholics da era da comunicação, era um gênio, cuja imagem de Carlitos evoca nas pessoas sentimentos puros , camuflados e dispersos nos nossos "Tempos Modernos".
Em minha vida devorei tantas biografias do Who que, às vezes, sinto que sua vida e obra preencheram tanto a minha quanto a de qualquer meu familiar.
Lendo a bela "Who Chronycles", nestas férias(valeu Dulce!), o sentimento similar à figura de Carlitos foi evocado ao rever a figura de Keith Moon.
Considerado,além de gênio maluco da bateria, Moon, melhor que ninguém, personificou o palhaço no circo do rock’n roll; segundo o próprio Towshend, Keith seria capaz de botar fogo em si mesmo, se isso servisse para alegrar alguém ou arrancar risos de uma platéia.
É impossível permanecer estático ao rever os clássicos vídeos das apresentações do Who em Monterey e na Ilha de Wigth , em suas hilárias entrevistas ,em documentários, dando peidos (ao vivo e em cores) e explodindo baterias ; a figura de Moon é tão forte quanto à de Carlitos ou de qualquer gênio da comédia, seja Totó, Groucho Marx , Ugo Tognazzi ou Graham Chapman.
Meu Deus!!! Estará o mundo fadado a ser uma geração de "robozinhos-humanos" que encaram a vida como um mapa programado em busca do sucesso e triunfo, em que drama, humor, risos e lágrimas , os quais caracterizam o belo caos da existência humana, estão sendo substituídos pela previsibilidade?
Que os anjos nos tirem dessa roubada.....

Viva São Peter....

Pete Towshend representa para mim uma espécie de santo padroeiro, seja pelo seu legado artístico( um dos principais baluartes do que restou do rock’n roll), ou pela sua atitude perante à vida e sua genial musicalidade.
Não apenas um mero destruidor de Teles, Stratos, Sgs, Les Pauls e Rickenbackers(entre outra infinidade de guitarras esmigalhadas) que legitimou o formato ópera-rock ,através de Tommy.Sua responsabilidade sobre grandes avanços da arte, aconteceu de maneira subliminar para a grande massa, assim como a maioria das coisas que valem a pena no rodar da Lusitana Townshend, ao lado de : Bowie, Lennon ,Dylan, Zappa e Hendrix , se caracteriza por mostrar que o rock n’roll não é mera cultura de consumo e sim uma música extremamente poderosa e inteligente, que arrancou aplausos de ninguém menos que Leonard Bernstein, numa da primeiras apresentações de Tommy; ou seja, da mesma maneira que guitarras eram demolidas, Platão e Conrad eram lidos....
Desde a moda da utilização de Unions Jacks( a antiga bandeira inglesa) que cruzou além-mares e ornou cinzeiros e mini-saias ( advindos dos blazers e amplis do Who), seguindo pelos avanços da tecnologia nos estúdios caseiros, do qual Pete foi pioneiro, o desenvolvimento do Stack da Marshall até o link entre cultura pop e espiritualidade, via seu guro Meher Baba, a gênese do heavy metal(fator negado por Pete, apesar do Live at Leeds)e até uso de elementos Wagnerianos e minimalistas no rock, são alguns dos inúmeros legados de Pete.
Uma de suas maiores obras, o disco Who’s Next, surgiu de um acidente de percurso do que seria outra obra, que segundo Pete deveria superar as expectativas em relação ao Who pós- Tommy.
Inicialmente, chamada de Lifehouse ,era um arrojado projeto multimídia que previa uma interatividade entre banda e platéia ; baseava-se no princípio que a arte deva ser um espelho da audiência....
Por uma série de infortúnios, o projeto “foi para o brejo”...desde a falta de tecnologia adequada, até a não receptividade da platéia presente nos ensaios ,chegando aos peculiares abusos de drogas e hedonismos pelo resto da banda e pelo próprio empresário ,conduzindo o guitarrista a uma crise emocional que quase levou-o ao suicídio, em plena Nova Iorque.
Apesar de tudo, ficamos com um dos mais célebres discos de toda a história da música, com grandes hinos como: Baba o’Riley, Behind Blue Eyes , Bargain e Won’t get Fooled Again.
Bem... o fantasma de Lifehouse persegue Pete até hoje(palpite de fã...), vide como o inseriu no seu projeto solo o show “The music of Lifehouse”resgatando alguns audios originais e colocando em seu website(www.petetownshend.co.uk) a chamada frase-moto do projeto: “A música deve servir como um espelho que define a audiência.”.... um tanto psicodramático, não?
A música é uma manisfestação presente desde os primórdios da espécie humana. Segundo alguns especialistas em música hermética, a verdadeira música está presente desde o grito primordial e sua verdade se manifesta até hoje em artistas que têm esta verdade de maneira consciente ou não(viva Hermeto Pascoal!!!).
Todavia, o que vem sendo feito da arte, reflete na verdade o vazio que apresentamos como espécie humana ,um momento histórico interessantíssimo que não mostra muita graça e sim, talvez, um colapso nervoso geral da sociedade...
Cabe aqui um chamado para os músicos, sejam os artistas já consagrados, os que batalham pela sua arte, produtores, professores, engenheiros de som , editores e todos os profissionais desta grande arte:devemos todos ter em mente esse “fator espelho” e tentar refletir o que a platéia tem de melhor.Creio que, melhor papel social o músico não pode ter....
Márcio Okayama