Já que o Márcio Okayama citou em seus posts a banda The Who, segue aqui a minha homenagem com a coluna que fiz e que foi publicada na revista Cover Baixo.
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Em 1964, a banda inglesa The Detours, composta por John Entwistle (baixo), Pete Townshend (guitarra base), Roger Daltrey (guitarra solo), Doug Sandom (bateria) e Colin Dawnson (vocal) passou a se chamar The Who. Após certo tempo, Dawnson deixou seu posto, levando Daltrey a assumir os vocais e Pete Townshend, à função de único guitarrista. Em seguida, Sandom foi substituído por Keith Moon nas baquetas.
Estas mudanças foram decisivas para o estabelecimento da sonoridade definitiva da banda, que ficou bem mais agressiva que em seus primórdios. O modo de tocar de Entwistle também foi alterado, pois, nesta configuração, o baixo pôde elaborar grooves mais ricos para preencher os espaços deixas pela ausência de uma guitarra-base. Por conseqüência, suas linhas ganharam mais pegada e entrosamento com Moon, o que daria aos dois anos posteriores o status de uma das melhores cozinhas do rock em todos os tempos.
Com a nova formação, o The Who passou a fazer apresentações energéticas, o que o levou a ganhar fama no meio roqueiro britânico. Em poucos meses, ganhou a chance de se apresentar esporadicamente em um bar – que, mais tarde, seria o famoso Marquee Club -, onde Entwistle começou a usar sua imponente parede de amplificadores Marshall. Em 1965, a banda lançou seu primeiro álbum, The Who Sings My Generation, que atingiu rapidamente o segundo lugar nas paradas de sucesso do Reino Unido. A faixa homônima, até hoje o maior sucesso da carreira da banda, mostra claramente por que o baixista é hoje reconhecido como um dos principais heróis do gênero.
Em 1966, chegou às lojas o segundo álbum, A Quick One (happy Jack), em que, pela primeira vez, o grupo interpretou um conceito ópera-rock. Na mesma década, o quarteto lançou The Who Sell Out (1967), que prestava homanagem às rádios piratas, e a obra-prima Tommy (1969), que será detalhada em colunas futuras. O The Who fez ainda outros trabalhos marcantes nas décadas de 70 e 80, como Who’s Next (1971), Quadrophenia (1973) e Face Dances (1981) – este, lançado após a morte de Moon, em 1978, que foi substituído por Kenney Jones.
Após o álbim ao vivo Who’s Last (1984), os britânicos anunciaram a interrupção das atividades, esporadicamente retomadas em shows e turnês especiais. Em 2002, quando se preparava para um nova turnê do grupo, Entwistle morreu de ataque cardíaco. Daltrey e Townsend seguiram trabalhando juntos, com Pino Palladino no posto de baixista. Neste ano lançaram o EP Wire and Glass e o CD Endless Wire.
Tanto no The Who quanto em sua carreira-solo, John Entwistle criou levadas que completavam com eficiência e bom gosto o trabalho das guitarras, bateria e vocais, utilizando palhetas ou a técnica do pizzicato de acordo com a necessidade da música. Um exemplo de sua extrema habilidade é o solo de “My Generation”, que está transcrito a seguir.
Executado na tonalidade de Gm, o trecho apresenta uma linha-base nos dois primeiros compassos e, nos seguintes, pequenas convenções. Na primeira o baixo interpreta uma estrutura rítmica complexa, com notas relativas à escala pentatônica. Na segunda, o primeiro tempo é preenchido por semicolcheias e semínimas, evidenciando a intenção de walking bass por meio de sua rítmica e da aproximação cromática nos dois últimos tempos.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
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